Mini Cooper S 2.0 T 192 cv: Porque os ícones não morrem…

Mini Cooper S 2.0 T 192 cv: Porque os ícones não morrem…

Verdadeiro ícone da indústria automóvel britânica ressuscitado, há pouco mais de uma década, pela mão da germânica BMW, a MINI dos nossos dias terá, provavelmente, no Cooper S a melhor interpretação daquilo que os produtos da marca pretendem ser – emocionais, desafiantes, arrebatadores. Assim e como não poderia deixar de ser, também a terceira geração do mítico modelo britânico tem o seu Cooper S, maior, melhor, mas ao mesmo tempo intocado naquilo que mais o valoriza: a estética, mas principalmente as incomparáveis sensações na condução! Porque os ícones não podem morrer…

Depois de termos começado os ensaios da actual terceira geração Mini pelo surpreendente Cooper 1.5 Diesel, a verdade é que foi com expectativas ainda maiores que encarámos mais um contacto com aquela que – pelo menos para nós – tem sido, ao longo de 14 anos e duas gerações que a marca britânica já leva desde o seu ressurgimento sob a égide da BMW, um dos melhores exemplos do que um Mini de genes alemães é: o Cooper S. E não o dizemos, acrescente-se, apenas devido ao aspecto estético, até porque, mesmo nas versões menos motorizadas, o sex-appeal do pequeno carro britânico está lá todo!; mas, sim, porque é com motores “a sério” que o modelo britânico consegue verdadeiramente exprimir, ao volante, o chamado e muito apreciado “espírito go-kart”.

E se a todos aqueles que nunca conduziram um Mini e que já estarão certamente a questionar-se sobre o que será isso de “espírito go-kart”, a primeira resposta terá necessariamente de passar pelo recordar do conceito que está na base dos karts, com o condutor sentado muito perto do chão e totalmente integrado no carro, já aos outros, mais conhecedores ou até fãs dos produtos da marca britânica, as explicações poderão seguir, directamente e no caso da actual geração Mini, para aquilo que continua a tornar o Cooper S, especial: uma plataforma agora mais rígida, suspensões revistas e mais firmes, barra estabilizadora de maior diâmetro, rodas com jantes em liga leve de 16” posicionadas bem nas extremidades do carro, além de uma diminuição no peso (1.175 kg), a que há ainda que juntar uma posição de condução baixa (garantida a partir de um banco regulável também em altura e excelente na forma como encaixa o corpo) e, principalmente, um motor turbo a gasolina, nesta nova geração de dois litros (substitui o anterior 1.6), com 192 cv de potência e 300 Nm de binário, a que não falta ímpeto e força para deslumbrar!

Garantia de temperamento verdadeiramente desportivo, anunciado desde logo na sonoridade profunda e rouca que se desprende da característica ponteira dupla colocada em posição central, o novo quatro cilindros em linhas equipado com injecção directa, turbocompressor e intercooler faz, de resto, questão de deixar bem expressas as suas credenciais, desde logo, num cartão-de-visita do qual constam prestações que passam pelos 235 km/h de velocidade máxima, com passagens dos 0 aos 100 km/h em 6,8 segundos. Posteriormente confirmadas numa utilização real, onde a força e impetuosidade surgem acompanhadas de uma subida rápida mas muito linear das rotações, complementadas por recuperações que, em situações mais limite, não enjeitam o contributo da excelente caixa automática desportiva Steptronic de seis velocidades (praticamente imperceptível nas passagens, é igualmente rápida, e ainda mais com o modo Sport ligado!) e patilhas nos braços do volante. E ainda para mais com consumos que, tomando em linha de conta as dimensões do bloco mas também o facto de contar com sistema Stop&Start (um pouco brusco…), não deixam de revelar-se aceitáveis: 7,1 l/100 km foi a nossa média, valor apreciável, ainda que conseguido com o contributo também do Mini Driving Modes, com três modos de funcionamento: Mid (ou Normal, que o sistema adopta por defeito), Sport e Green.

Seleccionada a opção “Green” no interruptor que rodeia a base da manche da caixa de velocidade, é activada não apenas a cor verde no anel luminoso em LED que circula a emblemática consola central, mas também os sistemas de ajuda à economia de combustível, passando-se para uma gestão optimizada da energia e do sistema de climatização, com o painel de instrumentos a passar a exibir igualmente um indicador com aquela que é, a cada momento, a mudança mais eficiente.

Mas se o modo “Green” convence pela forma como ajuda à contenção nos consumos sem perdas exageradas de potência (aliás, em caso de necessidade, basta uma “sapatada” no acelerador para sairmos dali para fora!), já o modo “Sport” deslumbra pela capacidade de apurar sensações ao volante, com o Cooper S a adoptar não apenas um vermelho vivo no já citado anel luminoso, mas principalmente a revelar um pedal de acelerador mais sensível, um maior peso e feedback na já de si óptima direcção (culminada num volante de pega excelente, ajustável em altura e profundidade) e até, no caso do veículo estar equipado com controlo dinâmico da suspensão (DDC, com um custo extra de 406,50€), um pisar mais firme e informativo!

De resto, importa salientar que o comportamento continua sendo, nesta terceira geração, uma das razões que mais rapidamente justificam os quase 30 mil euros que o Cooper S custa (28.100€, para sermos mais precisos, ainda que tal preço seja com o carro sem qualquer extra…), o qual, agora mais comprido, mais largo, mais alto e com maior distância entre eixos, continua a revelar uma estabilidade, segurança, mas também arrebatamento, quase ímpares!

Nesta terceira geração evidenciando melhorias, nomeadamente, ao nível do comportamento da traseira, mais estável e segura quando em situações-limite, o novo Mini Cooper S complementa esta evolução com uma postura e inserção em curva verdadeiramente desafiantes, fruto igualmente de uma direcção que, apurada com o contributo do MINI Driving Modes, mosta tanta competência nas manobras em cidade quanto eficácia nos trajectos mais sinuosos e cumpridos a velocidades muitas vezes em cima dos limites legais!

Mas porque, já lá diz o ditado, não é possível ter sol na eira e chuva no nabal, momentos de elevada adrenalina e emoção devem ser cumpridos em trajectos com piso pouco menos do que perfeito, sob pena da viagem se tornar um suplício para os ocupantes, em resultado do esfumar de qualquer réstia de conforto.

Afinal, numa proposta em que este será um dos conceitos menos valorizados, será caso para dizer que já bastam “agressões” como o acesso ao habitáculo (em particular, aos lugares de trás) ou até mesmo o espaço disponível nos lugares traseiros. Os quais, é certo, ganharam nesta nova geração alguns (poucos) centímetros mais para as pernas dos ocupantes, os quais continuam ainda obrigados a viajar com pés debaixo dos assentos dos bancos da frente, além de com a cabeça perigosamente próxima do tejadilho. Em especial, se tiverem mais de 1,75 m, devido igualmente à colocação dos bancos tipo anfiteatro.

A mesma limitação de espaço mantém-se, de resto, na bagageira, ainda que também ela aumentada face à geração anterior (211 litros é agora o valor inicial) e com um generoso alçapão por baixo do piso falso, conseguido com a troca do pneu sobressalente por um kit anti-furos, variando depois a capacidade consoante a colocação do piso num de dois níveis. Solução elogiável mas que, em termos de aumento de capacidade de carga, acaba facilmente suplantada pela possibilidade de rebatimento 60/40 das costas do banco traseiro (muito funcionais as trancas), forma de garantir 731 litros de armazenamento, mesmo com uma pequena vala a separar a área das bagagens das costas dos bancos.

Já no habitáculo, onde é notório o esforço feito pelo fabricante no melhorar da qualidade de construção e dos materiais (só não gostámos tanto do plástico rijo e rugoso escolhido para a tampa do porta-luvas…), destaque igualmente não somente para a elogiada posição de condução a garantir um correcto acesso à maioria dos comandos (apenas o posicionamento entre os bancos do joystick com botões, através do qual é comandado o sistema de infotainment, nos pareceu um pouco atrasado), melhor inclusivamente do que a visibilidade traseira (requer um curto período de habituação), mas também para a oferta de vários espaços de arrumação – abertos, como é o caso da prateleira com a entrada USB na base da consola central, e fechados, como o porta-luvas ou o espaço “secreto” no tablier em frente ao passageiro, mas cuja volumetria não dá sequer para aí colocar uma carteira de homem! -, soluções funcionais e novas como a desafiante patilha vermelha que serve para “acordar” o motor ou até mesmo do indicador do nível de gasolina colocado externamente, à direita do velocímetro , e principalmente para um equipamento de série já bastante completo.

Sobre este último aspecto, basta recordar, entre outros, a inclusão de elementos como o ABS, Controlo Electrónico da Distribuição da Força de Travagem, Controlo Dinâmico de Estabilidade (DSC), Indicador da Pressão dos Pneus, Servotronic, Cruise Control com função de travagem, Controlo de Travagem em Curva, Indicador de Desgaste das Pastilhas de Travão, suspensão Cooper S, distribuição optimizada do binário entre as rodas do eixo frontal (Performance Control), Protecção Activa de Peões, fecho automático das portas ao arrancar, função Auto/Start Stop, faróis de halogéneo para médios e máximos, função Follow-me-home, Controlo Eléctrico do Alcance dos Faróis, luzes de condução diurna, volante desportivo em pele multifunções, Interface USB/AUX-In, rádio MINI Boost com dois altifalantes e dois woofers, computador de bordo, conta-rotações e velocímetro na coluna de direcção, bancos desportivos (condutor e passageiro ajustáveis em altura), função Easy Entry, botão Start/Stop Engine com iluminação, bancos traseiros rebatíveis, retrovisores exteriores asféricos ajustáveis electricamente, spoiler traseiro, entrada de ar no capot, jantes em liga leve Loop Spoke Silver de 16” com pernes de segurança, estofos em tecido Double Stripe e LED Ring no Mini Center Instrument.

Contudo e porque a personalização de cada MINI é mais-valia de que a BMW não quer abdicar, tão ou maior é a lista de opcionais disponíveis para este novo Cooper S. Incluindo os sensores de estacionamento traseiro (PDC), por 292,68€; o sistema de navegação MINI, por 650€; o Assistente de Condução (inclui Cruise Control Activo + Assistente de Máximos + Aviso dos Limites de Velocidade + Leitura dos Sinais de Trânsito + Aviso de Colisão Iminente + Prevenção de Colisão em Cidade + Prevenção de Atropelamento), por 804,88€; o Head-Up Display, por 406,50€; a câmara traseira de ajuda ao estacionamento, por 284,55€; ou o muito completo Pack Chili II – garantia de pneus runflat 205/40 em jantes Cone Spoke Silver de 18”, volante desportivo JCW, pack espelhos retrovisores exteriores, tapetes, banco do passageiro ajustável em altura, pacote de compartimentos de arrumação, MINI Excitement Package, MINI Driving Modes, sensores de chuva e de luz, Cruise Control com função de travagem, computador de bordo, pack de luzes, luzes de nevoeiro em LED e faróis LED direccionais, tudo por 2.073.17€.

Mas, também, quem foi que disse que os ícones tinham de ser acessíveis?…

Fonte: Diário Digital

Sobre o Autor

Marco Aurélio administrator

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