Carros populares que saem de linha continuam bem valorizados

Carros populares que saem de linha continuam bem valorizados

Carros populares que saem de linha continuam bem valorizados

Mesmo com a desvalorização, o carro que saiu de linha ainda pode circular por um bom tempo. Especialistas afirmam que sempre há boa sobrevida

Alto custo de fabricação, impostos, queda nas vendas e não adequação à legislação vigente são alguns fatores que levam as montadoras a interromper a produção de um modelo de carro. Em 2014, alguns “queridinhos” deixaram de circular por causa de algumas dessas condições. É o caso da Volkswagen Kombi, nascida na década de 1950.

 

Com a determinação da Lei n° 11.910/09, todos os modelos de carros produzidos no Brasil precisam vir, necessariamente, com freios ABS e airbags duplos frontais. A exigência tornou inviável a continuidade de fabricação de algumas linhas, pois o acréscimo desses itens acarretariam custos mais altos de produção em detrimento do retorno das vendas.

 

O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave-CE), Fernando Pontes, afirma que as montadoras devem ter a preocupação de suprir as exigências do mercado na hora de parar a produção de um veículo. Geralmente isso ocorre com o lançamento de uma nova versão ou de um carro que substitua o antigo.

 

Mesmo com a saída de linha de modelos como a Kombi, o Fiat Uno Mille e o Gol G4, engana-se quem acha que esses veículos – assim como muitos outros – somem das ruas. Segundo o Relatório da Frota Circulante de 2014, feito pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), a idade média de automóveis em circulação é de oito anos e cinco meses. Isso significa que os “queridinhos” ainda poderão ser encontrados por um bom tempo por aí. Aproveitem!

 

SEU DIREITO

De acordo com Ricardo Dilser, assessor técnico da Fiat Chrysler, o que leva as montadoras a parar a produção de um carro é o mercado. Ele afirma que, antes da decisão, é analisado se vale a pena fazer alterações no modelo, que geralmente acontecem a cada quatro anos.

 

“Quando as vendas do carro começam a cair, primeiramente é feita uma análise de mercado, se há novos concorrentes, se eles são fortes. Em cima desse estudo, é definida a quantidade de atualizações que devem ser feitas no veículo. O que determina o fim do modelo é quando são feitas as atualizações e mesmo assim não há aceitação, não há aumento nas vendas”.

 

Ter um veículo que não será mais produzido, entretanto, não significa que o proprietário tenha que se desfazer dele. Segundo Dilser, as montadoras e os fornecedores têm o compromisso de produzindo itens para esses carros por um tempo. O fornecimento pode chegar a 10 anos. Outros itens – como o motor -, se forem usados em modelos novos, continuarão a ser produzidos por tempo indeterminado.

 

O Código de Defesa do Consumidor garante que os fabricantes e importadores devem fornecer peças de reposição por “tempo razoável” mesmo após a saída de linha do veículo. (Andressa Bittencourt)

 

DESVALORIZAÇÃO

 

O diretor da Universidade Automotiva (Uniauto) e consultor da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), Amos Lee Harris Jr., explica que, a partir do momento em que um carro sai da concessionária, há desvalorização de cerca de 20%. A cada ano, consequentemente, os modelos vão perdendo valor no mercado.

 

Com os veículos que saem de linha isso também ocorre, mas a desvalorização pode ser maior ou menor dependendo da aceitação que o modelo teve enquanto ainda estava sendo produzido. “Carros populares não perdem tanto valor. Já os modelos que o mercado não assimilou têm uma dificuldade ainda maior de serem aceitos como usados”.

 

O consultor automotivo Leandro Mattera destaca que a compra ou não de um veículo que saiu de linha depende da necessidade de cada consumidor. “Se viu que esse carro tem qualidade e segurança, além de um um bom desconto, não se importa muito com o status”, diz. (Andressa Bittencourt)

 

“QUERIDINHOS”QUE SAÍRAM DE LINHA

 

O Fiat Uno Mille, após 30 anos no mercado, teve suas últimas unidades produzidas em dezembro de 2013, com série limitada Grazie Mille. Substituído pelo Palio Fire 2014, o Mille (motor 66 cv, torque 9.2 kgf.m), segundo a tabela Fipe, custava na época R$ R$ 22.540. Em setembro, um 0km custava R$ 22.731.

O Gol Geração 4 também deixou de ser produzido em dezembro de 2013, dando lugar ao Volkswagen Up!. Segundo a média da tabela Fipe, R$ 26.528,00 era o preço da versão equipada com direção hidráulica e motor 68 CV (gasolina, a 5750 rpm) no fim daquele ano. Em setembro de 2014, o valor caiu para R$ 25.950.

 

O Ford Ka passou por uma reformulação e agora é Novo Ka. O modelo antigo, que saiu de linha no fim de 2013, contava com motor de potência 73,0/6000 (cv/rpm) e torque de 9,3/5000 (mkgf/rpm) e custava, segundo a tabela Fipe, R$ 25.083,00. Em setembro, o preço era de R$ 25.150.

Fonte: Opovo

Sobre o Autor

Marco Aurélio administrator

error: Content is protected !!